Ultimamente temos presenciado um boom de SBCs (Single Board Computers) destinadas ao público de DIY e hobbyistas. Os artigos da série ARM para hobbyistas do Cláudio Sampaio mostram muito bem isso, e merecem atenção. Não podemos nos esquecer da Raspberry Pi Modelo B+, Intel Galileo Gen 2 e Raspberry Pi CoM, que foram lançadas após a escrita dessa série. Dado esse grande universo de SBCs, foi preparada uma pesquisa pela The Linux Foundation e o LinuxGizmos.com para melhor entender as principais características buscadas pelo público numa placa. E não é que surgiu mais uma? Agora é a vez da ODROID-W!
O que é a ODROID-W e por que ela foi criada?
De repente aparece uma nova SBC e não sabemos o porquê. Algumas têm motivos muito bem claros, tal como a Raspberry Pi, focada para uso educacional, com o objetivo de democratizar a tecnologia. Outras surgem simplesmente para apresentar um novo SoC e ser usada como plataforma de desenvolvimento, como é o caso da BeagleBone Black. E qual a história da ODROID-W?
A Hardkernel, no começo de 2014, tinha como objetivo desenvolver, para seus parceiros, protótipos de dispositivos “wearables” e focados em IoT (Internet Of Things). Algumas alternativas foram estudadas:
ODROID-U3
A ODROID-U3 é uma placa já fabricada e comercializada pela Hardkernel e que faz uso da CPU Exynos4412 Prime de 1,7 GHz, Cortex-A9 Quad-core com uma memória LPDDR2 PoP (Package on Package) de 2 GB. Processamento fenomenal, mas isso causava um problema: consumo elevado de energia. Dessa forma, não é adequada para soluções “wearables“. No entanto ela tinha uma grande vantagem: seu reduzido tamanho, de 83 x 48 mm.
Raspberry Pi
Já que a ODROID-U3 foi descartada justamente pelo seu consumo de energia, uma outra alternativa seria a Raspberry Pi, que já possui um suporte interessante para seu BSP Linux e uma comunidade enorme de adeptos. Mas como o mundo não é perfeito, ela tem um probleminha: seu tamanho “grande” para dispositivos “wearables“.
Tendo em vista as vantagens e desvantagens de cada uma das alternativas estudadas, a Hardkernel fez a seguinte pergunta aos seus engenheiros: Por que não criar uma placa com o melhor de cada uma delas? E não foi isso o que aconteceu!? Tomou-se o hardware consagrado da Raspberry Pi, e o inseriu dentro de uma PCB de dimensões 60 x 36 x 7 mm. Dessa forma foi criada uma placa Raspberry Pi de dimensões reduzidas, que já nasce com suporte do kernel Linux, com uma infinidade de aplicações disponíveis e com uma diversidade de periféricos/placas de expansão suportados. A essa nova SBC foi dado o nome de ODROID-W, concebida para aplicações tal como a da figura abaixo, um relógio inteligente. Um detalhe é muito importe: é usado o mesmo SoC da Broadcom, BCM2835, e, com isso, todo software compilado para a Raspberry Pi pode ser executado na ODROID-W. Um exemplo é a distribuição Raspbian.
O que significa a letra W do nome da placa?
- Wearable device development;
- Widely applicable Internet of Things (IoT) development;
- Workable DIY electronics prototyping.
Veja como soldar um conector USB na placa e usar a ODROID-W com a imagem Raspbian no vídeo abaixo:
Diferenças entre a ODROID-W e a Raspberry Pi
A placa Raspberry Pi foi usada como base. Para haver redução no tamanho final da ODROID-W, algumas mudanças foram realizadas com relação à placa original, e outros periféricos foram mantidos. Veja a seguir:
Semelhanças:
- Conector micro USB client;
- Conector USB Host (não soldado na placa);
- Barramento de 26 pinos de GPIO compatível com a Raspberry Pi;
- Conector de câmera MIPI-CSI;
- Porta micro-HDMI (a Raspberry Pi possui uma porta HDMI);
- Conector micro-SD (a Raspberry Pi A/B possui um conector SD, mas o modelo B+ possui um conector micro-SD);
- Todo software disponível para a Raspberry Pi original é executado na ODROID-W.
Diferenças:
- Não é disponibilizado o conector Ethernet 10/100 Mbps;
- O conector MIPI-DSI, para LCD, foi removido;
- Foi disponibilizado na ODROID-W um conector para eMMC;
- Adicionados 26 pinos na placa, o que totaliza 32 GPIOS disponíveis, e dois conversores analógio-digital de 12 bits, ADC;
- Conector de bateria, que já existia na ODROID-U3, foi adicionado na ODROID-W;
- PMIC com RTC (precisa de bateria externa), carregador de bateria de Li-ion e desligamento por temperatura;
- Conversor DC/DC step-down para maior eficiência de energia;
- Conversor DC/DC step-up para 5 V (USB host e HDMI) a partir de uma bateria de Li-Polymer.
Veja abaixo o diagrama de blocos e fotos da parte superior e inferior da placa para melhor entendimento das mudanças com relação à Raspberry Pi.
Para quem estava acostumado com a interface Ethernet e mais portas USB, pode ser comprada uma placa de expansão, como esta.
Documentação da ODROID-W
Foi criado um Wiki da ODROID-W, onde podem ser encontradas informações muito valiosas, tal como compilar o kernel Linux para a placa. Além disso foi disponibilizado o seu esquemático. Veja também o Wiki das placas ODROID que a Hardkernel comercializa aqui.
Preço e onde comprar
O preço da ODROID-W é de U$30.00 e pode ser comprada no próprio site da Hardkernel, aqui. É muito diversificado o portfólio de placas de expansão e acessórios que a empresa oferece para as suas SBCs. Isso facilita muito a vida dos hobbyistas e makers.
Eu achei muito interessante a alternativa encontrada pela Hardkernel, mas o que mais me desanimou foi a ausência de um conector Ethernet 10/100 Mbps.
O que acharam dessa placa? Compartilhem suas impressões!
Referências
ARM para hobbyistas Parte 1 – Placas de desenvolvimento para hobbyistas
ARM para hobbyistas Parte 2 – Еconomizando ao máximo: “Mini PCs” com Linux














Impressionante!
Muito dinâmico esse mercado de SBCs, não Carlos? Eu adorei a ODROID-U3…compacta, alto processamento, USBs, Ethernet. Poucas GPIOs, é verdade, mas não me importo! E já vem com o conector da porta serial!
Abraços,
Henrique
Realmente Henrique este mercado de SBCs está muito dinâmico ultimante. Eu não conhecia o ODROID-U3 fiquei impressionado com as configurações, mas não achei muito convidativo o preço de $ 90 (incluso frete).
Mesmo sem conector Ethernet e todo o poder de processamento do ODROID-U3, vejo milhares de aplicações possíveis com ODROID-W como videogames, dispositivos de realidade virtual, dispositivos médicos etc.. e o melhor é que será possível aproveitar boa parte dos materiais e tutoriais feitos pela comunidade do Raspberry Pi.
Olá Carlos,
O legado que a ODROID-W traz consigo é enorme, e isso resulta num tempo de aprendizado muito menor. E isso é ótimo do ponto de vista dos makers. Enfatizei na U3 porque eu preciso de performance nos meus projetos, e ela atropelou a RasPi. 😉
Vamos ver se os projetos para a qual a W foi projetada vão decolar. Se sim, imagino um domínio de RasPi-like boards. kkk
Abraços,
Henrique
Olá Henrique,
Depois de suas colocações fiquei interessado em adquirir uma ODROID!
Eu estava interessado na Radxa Rock que tem 2GB de RAM e ARM Cortex-A9 quad core, mas fiquei com o pé atrás devido ao fato da comunidade ainda ser pequena. Na loja oficial a Radxa Rock é mais cara que a ODROID-U3, mas encontrei um vendedor no alibaba comercializando com um preço bem mais atrativo.
Creio que agora com essas novas informações eu acabe optando por uma ODROID.
Obrigado pelas informações!
Abraço,