A holandesa ASML é a mais valiosa empresa europeia de tecnologia. Projeta e fabrica máquinas de litografia, um componente essencial no processo de fabricação de chips – é a única fabricante das máquinas EUV (Extreme Ultraviolet), fundamentais para a produção dos chips mais avançados.
Essas máquinas são extremamente complexas e muito grandes, como mostra a imagem que ilustra este artigo.
Seus produtos envolveram a ASML na guerra de chips entre a China e os Estados Unidos; a empresa foi forçada a restringir a venda de suas máquinas à China.
Agora a ASML vem sofrendo outros tipos de ameaças: o governo holandês estaria considerando pôr em prática um plano para, gradualmente, elevar os impostos pagos pelos estrangeiros que vivem no país. Outra ameaça seriam restrições à imigração, que o líder de extrema-direita Geert Wilders, que obteve uma vitória eleitoral surpreendente no ano passado, diz pretender colocar em prática.
A ASML alerta que essas mudanças de regras bloquearão seu acesso a talentos. Com cerca de 18 milhões de habitantes, o país não consegue fornecer à ASML a mão de obra muito especializada de que esta necessita.
Segundo Peter Wennink, CEO da empresa, a ASML pretende continuar na Holanda, mas se as ameaças se concretizarem ela precisará ir para um país onde talentos possam ser mantidos com mais facilidade.
O jornal holandês De Telegraaf informou que o governo do país, ciente desse cenário, lançou uma operação secreta para tentar manter a ASML na Holanda, trabalhando especialmente junto à direção da empresa, que já deu sinais de que estaria considerando mudá-la para a França.
No que vem sendo chamado “Operação Beethoven”, estão envolvidos membros de alto escalão do governo, dentre os quais a ministra da Economia, Micky Adriaansens, que reconhece as dificuldades que serão enfrentadas pela empresa se as ameaças se concretizarem.
É mais uma batalha sendo travada na guerra pelos chips, que envolve não apenas as grandes potências, mas também países relativamente pequenos como a Holanda.











