Ouve-se frequentemente falar em tráfico de drogas, de armas e até mesmo de pessoas, mas agora outro tipo de tráfico está surgindo: o de GPUs para a China.
GPUs, sigla em inglês para Unidades de Processamento Gráfico, são componentes de hardware extremamente importantes para o processamento de aplicações ligadas à inteligência artificial, e sua exportação, especialmente para a China, vem sendo controlada pelos Estados Unidos.
Recentemente, a polícia de Singapura prendeu três homens acusados de envolvimento na reexportação ilegal de GPUs fabricadas pela Nvidia para a empresa chinesa de inteligência artificial DeepSeek, contornando as restrições comerciais americanas.
Quando Singapura, em 2024, se tornou repentinamente a segunda maior fonte geográfica de receita da Nvidia, muitos suspeitaram que isso ocorreu porque as GPUs fabricadas pela Nvidia estavam sendo reexportadas ilegalmente para a China.
A empresa negou qualquer envolvimento com o caso, inclusive dizendo que as vendas para Singapura representam menos de 2% de sua receita total.
No entanto, parece que o problema do tráfico de GPUs Nvidia de alto desempenho de Singapura para a China existe e que intermediários em Singapura têm operacionalizado esse tráfico.
Embora as prisões indiquem claramente o envolvimento de grupos sediados em Singapura nesse tráfico, a extensão de suas operações ainda não foi determinada. Empresas como a DeepSeek precisam de dezenas de milhares de GPUs Nvidia Hopper (H100, H20, H800) para treinar seus modelos de linguagem; já organizações menores operam clusters contendo dezenas ou centenas desses processadores.
O governo de Singapura enfatizou que, embora não seja legalmente obrigado a aplicar restrições de exportação unilaterais impostas por outras nações, espera que as empresas que operam dentro de suas fronteiras cumpram tais regulamentações, reiterando que o país não tolera tentativas de explorar suas redes comerciais para contornar controles internacionais, o que, na prática, significa apoiar as restrições americanas.









