Um Mundo Sem Eletricidade: Quão Preparados os Países Estão para Enfrentar Isso?

Descubra o impacto de um apagão prolongado na vida cotidiana e a surpreendente resiliência de algumas nações

Dependemos da eletricidade para praticamente todos os aspectos da vida moderna, desde o mais óbvio, como acender as luzes em nossas casas, até itens essenciais que talvez nem percebamos que necessitam de eletricidade, como o fornecimento de água potável.

Quando a energia falha, a eficiência das baterias se torna crítica. Este blog apresenta um experimento mental, imaginando como as sociedades poderiam lidar com um apagão prolongado, com base na infraestrutura e no nível de preparação atuais.

Efeitos Gerais de um Apagão Nacional

Imagine as luzes se apagando, não apenas em uma cidade, mas em um país inteiro — sem energia para residências, hospitais ou empresas. Embora as quedas de energia sejam desafiadoras, muitas nações estão tomando medidas proativas para aumentar sua resiliência diante de interrupções, como investir em fontes de energia renovável, modernizar suas redes elétricas e desenvolver tecnologias de armazenamento de energia.

Para explorar como os países estão se preparando para esses cenários, a Mouser Electronics encomendou um estudo para analisar dados sobre consumo de eletricidade, acesso bancário, dependência da internet, urbanização, sistemas de backup de emergência, força econômica, preparação para desastres e fornecimento de água potável em mais de 200 países. Em conjunto, esses critérios criaram uma pontuação de resiliência destinada a revelar por quanto tempo as nações poderiam continuar suas operações diárias essenciais sem eletricidade.

Mas como seria um mundo diante de um apagão generalizado?

Imediatamente: As Primeiras Horas Sem Eletricidade


Em poucos minutos, casas, ruas e cidades ficam às escuras. Semáforos param de funcionar, trens são interrompidos e aeroportos enfrentam grandes transtornos. Internet, telefones e linhas fixas deixam de funcionar. Os serviços de emergência enfrentam dificuldades de comunicação. Hospitais passam a operar com geradores, mas a maioria deles dura apenas algumas horas ou, no máximo, alguns dias.

1–3 Dias de Apagão


Se o apagão continuasse por alguns dias, o abastecimento de alimentos e água seria comprometido. Supermercados dependem de refrigeração, e os alimentos estragam rapidamente. Estações de tratamento de esgoto deixariam de operar, tornando a água imprópria para consumo. Também não haveria caixas eletrônicos, pagamentos com cartão ou transações digitais.

1–2 Semanas Sem Energia


Após uma ou duas semanas, as cadeias de suprimentos entrariam em colapso, pois não haveria transporte refrigerado, fábricas em funcionamento nem reabastecimento das lojas. O saneamento se deterioraria à medida que a coleta de lixo fosse interrompida e a água se contaminasse. Medicamentos se tornariam inseguros para uso devido à falta de refrigeração, e fabricantes farmacêuticos não conseguiriam produzir novos medicamentos.

Longo Prazo: Alguns Meses Sem Eletricidade


Após semanas ou meses, as economias entrariam em colapso, com bancos, mercados e empresas paralisados. Sem maquinário agrícola, refrigeração ou transporte, a produção e distribuição de alimentos falhariam.

Embora seja improvável que algo assim aconteça — ou que dure tanto tempo caso aconteça — já ocorreram pelo menos quatro grandes apagões em todo o mundo em 2025, incluindo o amplamente discutido apagão na Península Ibérica, que afetou aproximadamente 60 milhões de pessoas.[1]

Os Países Surpreendentemente Resilientes que Estão Adotando a Independência Energética

Quais países estão construindo ativamente resiliência contra apagões (Figura 1)? Para descobrir isso, os pesquisadores do estudo analisaram dados sobre consumo de eletricidade, acesso bancário, dependência da internet, urbanização, sistemas de backup de emergência, força econômica, preparação para desastres e fornecimento de água potável.

Figura 1: Uma animação de apagão elétrico destaca os países que provavelmente seriam mais resilientes após perderem energia. (Fonte: Mouser Electronics)

A Falta de Eletricidade é Apenas um Pequeno Inconveniente para Papua-Nova Guiné

O quanto um país depende da eletricidade de forma geral pode ser a medida mais simples de sua resiliência diante de uma perda total de energia elétrica. Embora nenhum país no mundo esteja completamente sem eletricidade, muitos países comparativamente mais rurais seriam mais resilientes. Por exemplo, Papua-Nova Guiné consome apenas 20,5 kWh de eletricidade per capita por ano, já que muitas comunidades operam com dependência mínima da rede elétrica.[2] Grandes populações rurais se sustentam por meio de agricultura predominantemente manual, mercados locais e coleta de água.

Dependência Limitada da Eletricidade Significa Resiliência à Falta de Energia para Moçambique

Moçambique oferece um exemplo claro de como a dependência limitada da eletricidade pode se traduzir em uma forma de resiliência diante de uma perda total de energia. Embora o acesso à eletricidade tenha crescido, grande parte da população continua vivendo fora da rede elétrica, dependendo da agricultura manual, mercados locais e comércio comunitário.[3] Esse baixo nível de dependência significa que a vida cotidiana nas áreas rurais poderia continuar com relativamente pouca interrupção durante um apagão. No entanto, em centros urbanos como Maputo e Beira, onde hospitais, sistemas de água e empresas dependem da rede elétrica, o impacto seria muito mais severo. A situação de Moçambique, assim como a de outras nações de baixo consumo, mostra que a resiliência muitas vezes não vem de uma infraestrutura robusta, mas de um modo de vida que já opera amplamente de forma independente dela.

Sem Energia, Sem Dados

A alta resiliência de muitos países não se deve necessariamente a uma infraestrutura forte, mas ao fato de que grande parte da vida cotidiana já acontece fora da rede elétrica. Em países de baixa renda, o consumo de eletricidade per capita pode ser tão baixo quanto 15 kWh por ano — menos do que uma residência no Reino Unido consome em um único dia.[4] Mais de 1,4 bilhão de adultos em todo o mundo não têm acesso a serviços bancários tradicionais, como internet banking ou cartões de crédito de instituições financeiras regulamentadas (ou seja, são desbancarizados). Mais de 80% dessas pessoas vivem em países de baixa e média renda, em comparação com menos de 2% em partes da Europa.[5] Com hospitais e serviços de emergência limitados disponíveis para a população, o desafio não é se adaptar; é que a vida já é precária. Os apagões ainda seriam devastadores, apenas de uma maneira diferente daquela observada em outras partes do mundo.

As Nações Dependentes de Energia Mais em Risco em um Mundo Sem Eletricidade

Por outro lado, países altamente urbanizados e fortemente dependentes de infraestrutura energética podem estar mais sujeitos ao colapso em caso de um apagão generalizado.

Singapura Está Entre as Nações Mais Dependentes de Energia

Singapura, como uma cidade-estado construída sobre conectividade digital, possui 100% de urbanização e acesso à internet quase universal (92%).[6] Um apagão em Singapura não apagaria apenas as luzes; serviços essenciais como ar-condicionado e bombeamento de água falhariam instantaneamente. Além disso, paralisaria finanças, transporte e atividades cotidianas em um clima tropical.

Esse padrão se repete em nações com altos níveis de desenvolvimento e infraestrutura. Singapura, Suíça, Dinamarca, Países Baixos e Reino Unido rapidamente enfrentariam dificuldades sem energia, devido aos seus elevados níveis de desenvolvimento e extrema dependência da eletricidade.

Dito isso, muitos desses países estão buscando ativamente mudanças nessa área. Singapura está fortalecendo sua resiliência energética ao expandir as energias renováveis e diversificar o fornecimento. Em 2024, o país possuía 1,35 gigawatt-pico (GWp) de capacidade solar proveniente de instalações em telhados e sistemas flutuantes. O país também está testando importações de energia hidrelétrica do Laos, com planos de importar entre 4 e 6 GW de eletricidade de baixo carbono até 2035.[7]

A República Tcheca Equilibra Conectividade e Resiliência

A República Tcheca combina alta dependência digital (por exemplo, uso de internet de 86%) com menor resiliência econômica (por exemplo, PIB per capita de US$ 31.706 em 2024).[8] Essa disparidade sugere que, embora o país seja altamente conectado, sua estrutura econômica pode não ser tão robusta, o que pode afetar sua capacidade de manter serviços durante apagões prolongados.

A República Tcheca está aumentando sua resiliência ao expandir projetos comunitários de energia solar e compartilhamento de energia, reduzindo a dependência da rede elétrica nacional.[9]

Quão Dependente da Eletricidade é o Reino Unido?

Com mais de 96% da população conectada à internet, os setores bancário, de saúde e varejo do Reino Unido dependem profundamente da eletricidade.[10] O consumo de eletricidade per capita é mais de 100 vezes maior do que em nações como Burundi ou Sudão do Sul.[11] Com menos de 2% dos residentes do Reino Unido sem acesso bancário, praticamente todas as transações dependem de energia elétrica.[12] Um apagão prolongado paralisaria a economia muito mais rapidamente do que em nações menos conectadas.

Mais de 84% da população do Reino Unido vive em áreas urbanas, tornando água, alimentos e transporte altamente dependentes de eletricidade.[13] Hospitais possuem geradores, mas a cobertura é irregular; instalações menores podem enfrentar lacunas de atendimento potencialmente fatais.

Em última análise, a dependência elétrica do Reino Unido permite altos padrões de vida, mas também revela o quanto eficiência e preparação são essenciais para mantê-los.

Quando a Conectividade Cria Fragilidade
Em países digitalmente avançados, onde mais de 85% da população está online, sistemas que vão do setor bancário à saúde dependem fortemente da energia elétrica. Mesmo com geradores de backup, hospitais e outras infraestruturas críticas conseguem funcionar apenas por um período limitado.

Em um mundo onde praticamente todos os sistemas dependem de energia, a eficiência é fundamental. Inovações em componentes eletrônicos avançados permitem que dispositivos operem por mais tempo, reduzindo a distância entre dependência e resiliência e ajudando as sociedades a resistirem a interrupções caso a rede elétrica falhe.

Metodologia
Este estudo, encomendado pela Mouser Electronics, analisou a dependência dos países em relação à eletricidade para operações do dia a dia.

O estudo examinou os seguintes indicadores principais:

  • Consumo de eletricidade por pessoa: maior consumo significa maior dependênci
  • População sem acesso bancário: menor dependência de sistemas financeiros digitais
  • Penetração da internet: maior uso aumenta a vulnerabilidade durante apagões
    Urbanização: maior dependência de infraestrutura movida a energia elétrica
  • Geradores de backup em hospitais (pesquisa documental): menos geradores reduzem a resiliência
  • Hospitais funcionando sem energia (pesquisa documental): capacidade existente de operar sem eletricidade
  • PIB por pessoa: recursos financeiros para adaptação
  • Risco de desastres: maior risco também pode significar maior preparação
  • Participação de energia renovável: mais renováveis aumentam a resiliência
  • Uso de bombas elétricas de água (pesquisa documental): aumento da dependência

O conjunto completo de dados está disponível mediante solicitação em  MediaRelationsEMEA@mouser.com.

Fontes: 

[1] https://www.euronews.com/my-europe/2025/10/03/obsolete-electricity-grid-triggered-blackout-in-portugal-and-spain-experts-reveal; https://www.bbc.com/news/articles/c8d92n28pqjo; https://abcnews.go.com/International/puerto-rico-plunged-darkness-island-wide-blackout-hits/story?id=120884304; https://havanatimes.org/features/more-than-half-of-cuba-without-power/
[2] https://data.worldbank.org/indicator/EG.ELC.ACCS.ZS?locations=PG
[3] https://data.worldbank.org/indicator/EG.ELC.ACCS.ZS?locations=MZ
[4] https://data.worldbank.org/indicator/EG.USE.ELEC.KH.PC?locations=XM
[5] https://www.worldbank.org/en/publication/globalfindex
[6] https://worldpopulationreview.com/country-rankings/most-urbanized-countries; https://worldpopulationreview.com/country-rankings/internet-users-by-country
[7] https://www.globalbioenergy.org/the-rise-of-renewable-energy-in-sg-what-you-need-to-know-in-2025/
[8] https://worldpopulationreview.com/country-rankings/internet-users-by-country; https://data.worldbank.org/indicator/NY.GDP.PCAP.CD?locations=CZ
[9] https://www.euki.de/en/from-solar-roofs-to-shared-power-pioneering-community-energy-in-czechia/
[10] https://worldpopulationreview.com/country-rankings/internet-users-by-country
[11] https://data.worldbank.org/indicator/EG.USE.ELEC.KH.PC
[12] https://www.worldbank.org/en/publication/globalfindex
[13] https://worldpopulationreview.com/country-rankings/most-urbanized-countries

Artigo escrito por Mark Patrick e publicado no blog da Mouser Electronics: A World Without Electricity: How Prepared Are Countries to Cope? 

Traduzido pela Equipe Embarcados. Visite a página da Mouser Electronics no Embarcados

Licença Creative Commons Esta obra está licenciada com uma Licença Creative Commons Atribuição-CompartilhaIgual 4.0 Internacional.
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