Neste artigo entenderemos os últimos conceitos de potência, triângulo das potências e fator de potência, úteis para analisar os circuitos CA.
Potência Aparente e Fator de Potência
Lembrando o artigo de Potência em CA, se a tensão e a corrente nos terminais de um circuito forem uma senoide com esse formato:
A potência média será:
Do artigo de Valor RMS, vimos que a potência média pode ser reescrita como:
Mas agora temos um novo termo na equação
Agora vamos visualizar a potência média como produto de dois termos, com nomenclatura própria. O produto VRMS‧IRMS é chamado de potência aparente S, enquanto cos(θv – θi) é nomeado fator de potência (FP).
A potência aparente é medida em volt-ampères (VA) para distingui-la da potência média ou real medidas em Watts. Já o fator de potência é adimensional, já que é a razão entre a potência média e a potência aparente:
O ângulo θv – θi é conhecido como ângulo do fator de potência, afinal ele é o ângulo cujo cosseno é o fator de potência. Esse ângulo é o mesmo ângulo da impedância da carga, se V for a tensão na carga e I a corrente que passa por ela. Isso pode ser provado através de:
Lembrando que quando o símbolo está em negrito estamos fazendo referência a um fasor. Pegando VRMS e IRMS fasorial, temos:
Então, a impedância é:
Logo:
O fator de potência, além de ser o cosseno da diferença de fase da tensão e da corrente, também é o cosseno do ângulo da impedância da carga.
O fator de potência também pode ser visto como o elemento em que a potência aparente deve ser multiplicada para se obter a potência média ou real. E seu valor varia entre 0 e 1.
Assim, nós temos dois casos especiais:
- Para uma carga puramente resistiva, a tensão e a corrente estão em fase, então θv – θi= 0, ou seja, FP = 1. Nesse caso, a potência aparente será igual à potência média.
- Para uma carga puramente reativa, θv – θi = 90°, ou seja, FP = 0. Nessa situação, a potência média é zero.
Nesses dois casos, é dito que o fator de potência está adiantado ou atrasado. Um FP adiantado é aquele em que a corrente está à frente da tensão, o que indica uma carga capacitiva. Já o FP atrasado implica que a corrente está atrasada em relação à tensão, indicando uma carga indutiva.
Exemplo
Para uma carga ligada em série drenando uma corrente i(t) = 4 cos(100πt + 10°) A, temos uma tensão de v(t) = 120 cos(100πt – 20°) V aplicada. Vamos determinar a potência aparente e o fator de potência da carga, para essa situação:
Começando pela potência aparente:
Já o fator de potência:
Nesse caso, o fator de potência está adiantado, pois a corrente está adiantada em relação à tensão.
Potência complexa
A potência complexa é um importante recurso na análise de potência, isso porque contém todas as informações importantes à potência absorvida por uma determinada carga.
Para entender isso vamos observar o circuito com uma carga CA da Figura 1:
Considerando que a tensão e corrente na forma fasorial serão:
A potência complexa S absorvida pela carga CA será o produto entre a tensão e do conjugado da corrente:
Em valores RMS, temos:
Lembrando que:
Então S pode ser escrito como:
Notamos da equação que a amplitude da potência complexa é igual a da potência aparente, então a potência complexa é medida em volt-ampères (VA). Nota-se também que seu ângulo é o ângulo do fator de potência.
Além disso, a potência complexa pode ser expressa em termos de impedância local Z. Então, assumindo que a impedância da carga Z pode ser escrita como:
Com VRMS=ZIRMS, temos que a potência complexa será:
Como Z = R +jX, podemos reescrever:
Em que P é a potência média e depende da resistência da carga, R, já Q depende da reatância da carga, X, e é chamada de potência reativa.
Assim, a potência real P é a potência média em watts liberada para a carga. A potência reativa Q é uma medida de troca de energia entre a fonte e a parte reativa da carga. A unidade de medida de Q é o VAR (volt-ampère reativo), com o intuito de diferenciá-la da potência real cuja unidade é o watt. De acordo com o valor da potência reativa, temos diferentes comportamentos:
- Q = 0 para cargas resistivas (FP unitário);
- Q < 0 para cargas capacitivas (FP adiantado);
- Q > 0 para cargas indutivas (FP atrasado).
Assim, a potência complexa contém todas as informações relevantes de uma determinada carga.
É comum representar S, P e Q na forma de um triângulo, chamado de Triângulo das potências, mostrado na Figura 2a. O qual é similar ao triângulo das potências que mostra a relação entre Z, R e X, ilustrado na Figura 2b.
Fonte: ALEXANDER (2013).
Triângulo das potências
O triângulo das potências possui quatro parâmetros: potência aparente ou complexa; potência média; potência reativa e ângulo do fator de potência. Com dois desses parâmetros, é possível obter os outros dois a partir do triângulo.
É importante se atentar ao quadrante do triângulo, isso porque quando S está no primeiro quadrante, temos uma carga indutiva e um fator de potência atrasado. Já quando S está no quarto quadrante, a carga é capacitiva e o fator de potência está adiantado. Caso a potência complexa caia no segundo ou terceiro quadrantes, significa que a impedância da carga tem uma resistência negativa.
Fonte: ALEXANDER (2013).
Referências
ALEXANDER, Charles K.. Fundamentos de circuitos elétricos. Porto Alegre: Amgh, 2013.




