Surge um novo negócio na China: reparar GPUs contrabandeadas

Apesar dos esforços das autoridades americanas para restringir o acesso da China a processadores de inteligência artificial de ponta, há um número considerável de GPUs Nvidia para data centers, como os modelos A100 e H100, circulando no país. 

Contrabandeadas, essas peças não contam com garantia e, quando apresentam defeitos, seus proprietários precisam repará-las. Como resultado, uma próspera indústria paralela especializada na manutenção desses componentes de alto desempenho vem ganhando força, segundo disse a agência Reuters.

Cerca de uma dúzia de pequenas empresas sediadas em Shenzhen, cidade   próxima a Hong Kong e um dos principais polos tecnológicos e industriais do país e do mundo, já oferecem serviços de reparo para essas GPUs avançadas, cuja exportação para a China é proibida pelo governo americano.

Duas dessas empresas confirmaram à Reuters que trabalham com as GPUs A100 e H100, usadas em supercomputadores voltados à inteligência artificial (IA) e à computação de alto desempenho (HPC – High Performance Computing). Uma delas começou a operar no final de 2024 e conserta atualmente até 500 unidades por mês. Algumas montaram inclusive salas com infraestrutura semelhante à de data centers para simular condições reais de uso durante os testes.

GPUs como essas são dispositivos são extremamente complexos e operam sob grande estresse térmico, elétrico e mecânico, o que aumenta a possibilidade de surgimento de problemas, a maioria dos quais pode ser corrigida, através de medidas como substituição de capacitores, indutores, resistores e pinos danificados, além de ressoldagem de chips. 

Uma das empresas disse cobrar entre US$ 1.400 e US$ 2.800 por GPU, dependendo da complexidade do serviço. Outra, que antes alugava GPUs, passou a consertar cerca de 200 unidades da Nvidia por mês, cobrando cerca de 10% do valor original de cada peça – no mercado paralelo, estima-se que uma GPU H100 pode custar cerca de US$ 35 mil.

As restrições do governo americano à exportação de dispositivos como esses, levaram ao contrabando, permitindo a existência de uma quantidade significativa de unidades A100 e H100 operando na China – muitas delas operando intensivamente, 24 horas por dia o que aumenta a probabilidade de ocorrência de falhas e abre espaço para um negócio altamente lucrativo.

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