É evidente que sistemas embarcados em rede precisam de medidas de segurança robustas, mas a maioria dos engenheiros de sistemas embarcados não são especialistas em segurança. Para se proteger contra uma ampla gama de ameaças, eles precisam de orientação sobre a natureza dessas ameaças e uma estratégia de defesa em várias camadas que vá desde a segurança do projeto do hardware até a implementação de protocolos de criptografia.

Essa necessidade levou a um framework de segurança descentralizada baseado em princípios de confiança zero e que enfatiza a tríade CIA — confidencialidade, integridade e disponibilidade.

Vulnerabilidades em Dispositivos na Borda

Na maioria dos casos, as organizações não têm uma compreensão abrangente de todo o escopo das implantações de dispositivos na borda. A Internet das Coisas (IoT) coloca muitos dispositivos além dos perímetros de segurança tradicionais, onde são inerentemente vulneráveis. Os dispositivos geralmente estão situados em locais remotos, tornando difícil o gerenciamento e a segurança de forma eficaz, e os departamentos de TI normalmente têm supervisão limitada dos dispositivos na borda, o que torna o monitoramento um desafio.

Além disso, as equipes de projeto de dispositivos embarcados geralmente têm recursos de teste limitados, então as vulnerabilidades podem passar despercebidas. Esse risco é particularmente alto em muitos projetos que dependem de bibliotecas e frameworks de terceiros. As falhas nesses componentes tendem a ser bem conhecidas e frequentemente exploradas, especialmente para soluções de código aberto.

Da mesma forma, a falha em manter o firmware atualizado pode deixar os dispositivos vulneráveis à exploração. Existe um dilema aqui, pois o firmware frequentemente recebe menos atenção do que o software — mas, ao mesmo tempo, falhas no firmware podem se tornar pontos de entrada para acesso não autorizado e execução de código malicioso.

Infelizmente, mesmo os sistemas mais atualizados podem ser facilmente comprometidos se os mecanismos de autenticação e autorização forem fracos. Falhas como gerenciamento inadequado de credenciais e sessões podem deixar os dispositivos vulneráveis ​​a ataques de força bruta de adivinhação de senha e sequestro de sessão. Da mesma forma, APIs mal projetadas podem ser pontos de entrada fáceis para ataques de negação de serviço (DoS) e outros tipos de ataques.

Por fim, os recursos computacionais limitados em dispositivos na borda restringem o escopo das possíveis defesas e os tornam vulneráveis a ataques de sobrecarga. Esse risco destaca a importância de garantir que os dispositivos de borda tenham recursos adequados para lidar com picos de demanda e sejam resilientes contra ataques de esgotamento de recursos.

Para combater essas ameaças, a tríade CIA descreve três princípios:

Trusted Platform Modules (TPMs) são inestimáveis para manter as chaves de criptografia seguras. Entre outras funções, os TPMs podem armazenar dados sensíveis, como chaves, senhas e assinaturas digitais, de forma segura dentro de um enclave de hardware que é extremamente difícil de acessar ou manipular.

Em alguns casos, é necessário empregar hardware redundante para que quaisquer falhas possam ser tratadas sem interrupção das operações. A redundância de software pode fornecer capacidades semelhantes, por exemplo, duplicando chaves de software em vários ambientes virtualizados.

É claro que nem todas as ameaças ocorrem no domínio digital. O projeto físico dos dispositivos de borda também deve manter a segurança em mente. Além disso, sistemas de backup e planos de recuperação devem estar em vigor para uma restauração rápida caso um sistema seja comprometido.

Estratégias Abrangentes para Proteger Dispositivos de Borda

Implementar medidas que atendam a esses objetivos requer equilibrar cuidadosamente a segurança, as limitações de recursos e as necessidades operacionais. Os engenheiros podem adotar metodologias de segurança comprovadas e adaptadas para sistemas embarcados, para enfrentar esse desafio. Essas incluem:

  1. Segurança desde o projeto: A segurança deve ser incluída em todas as etapas do desenvolvimento, desde a arquitetura do sistema até os detalhes do projeto. Aspectos a considerar incluem conformidade regulatória e de normas, um ciclo de vida de desenvolvimento de produto seguro e uma estratégia de defesa profunda.
  2. Arquitetura de confiança zero: Na sua essência, este modelo assume que a infraestrutura está sob ameaças constantes, incluindo dentro dos sistemas pertencentes à empresa. Uma solução robusta inclui três estratégias principais: governança de identidade aprimorada, micro-segmentação lógica e segmentação baseada em rede.
  3. Segmentação e isolamento: O objetivo é separar sistemas críticos, dificultando que ataques se movam lateralmente dentro da rede. A micro-segmentação restringe todos os pacotes de rede, exceto aqueles que são permitidos. A conteinerização isola aplicativos e suas dependências, contribuindo para a confidencialidade e integridade ao limitar o acesso a informações sensíveis.

Essas abordagens alinham-se bem com os princípios de projeto da tríade CIA, fornecendo aos engenheiros ferramentas eficazes para melhorar a segurança de seus dispositivos de borda. Ao adotar essa estrutura, os projetistas podem minimizar o risco nos seus sistemas e proteger infraestruturas inteiras contra ataques.

Artigo publicado por Brandon Lewis no blog da Mouser Electronics: Prioritize Embedded System Security for Edge Applications

Traduzido pela Equipe Embarcados. Visite a página da Mouser Electronics no Embarcados