Fasores

Quando analisamos circuitos de corrente contínua foi necessário, dentre outras coisas, realizar operações algébricas com as tensões ou correntes. Como as excitações eram constantes, bastava somar V1 com V2, por exemplo. Agora imagine, em corrente contínua, somar duas tensões senoidais. Seria necessário somar os valores das funções ponto a ponto, o que seria um processo longo e tedioso.

Em razão disso, é mais conveniente converter a senoide em outro tipo de expressão para facilitar os cálculos. Normalmente, se faz isso ao expressar seno e cosseno em termos de fasores.

Neste artigo vamos entender o que são e como aplicar os fasores.

Representação em Fasores 

Os fasores são uma maneira mais simples de se analisar circuitos lineares excitados por fontes senoidais (circuitos CA). Eles podem ser definidos como:

O fasor é um número complexo, na forma polar, que representa a amplitude e a fase de uma senóide.

Esse tipo de representação parte da identidade de Euler que define:

Assim, cos(Φ) é a parte real e sen(Φ) é a parte imaginária. Dessa forma, para obter o fasor correspondente a uma senoide, primeiramente é preciso expressar a senoide na forma de cosseno (para que ela seja parte real do número complexo que vem da identidade de Euler). Ao eliminar o fator de tempo ejωt, a senoide que estava no domínio do tempo passa a ser do domínio de fasores.

Já para senoides escritas em termos de seno, o fasor correspondente é:

A representação gráfica dos fasores é chamada de diagrama fasorial. Na Figura 1, temos a representação de dois fasores: Vm∠Φ e Im∠-θ.

Figura 1 – Um diagrama fasorial mostrando Vm∠Φ e Im∠-θ
Fonte: ALEXANDER (2013).

É importante frisar que embora o fator de frequência (ou de tempo) ejωt seja omitido e a frequência não seja mostrada na representação no domínio dos fasores, essa resposta depende de ω. Por conta disso, o domínio dos fasores também é chamado de domínio da frequência.

Outro importante entendimento a respeito de fasores é como as operações com as senoides são representadas no domínio da frequência.

Começando com a derivada, derivar v(t) equivale a multiplicar seu fasor por jω.

 Já a integral, no domínio dos fasores e equivale a dividir seu fasor correspondente por jω.

Além da diferenciação e integração do tempo, outra importante operação que pode ser realizada entre fasores é na adição de senoides. Mas é importante ressaltar que essa adição só pode ser realizada se eles tiverem a mesma frequência.

Para fixar o que foi discutido neste tópico, vamos enfatizar as principais diferenças entre v(t) e V.

  • v(t) é a representação instantânea ou no domínio do tempo, já V é a representação em termos de frequência ou no domínio dos fasores;
  • v(t) depende do tempo, V não depende;
  • v(t) é sempre real (não possui parte imaginária), enquanto V normalmente é complexo;
  • A análise de fasores se aplica apenas quando a frequência é constante;
  • Só podemos manipular dois ou mais sinais senoidais se eles estiverem na mesma frequência.

Exemplos

    Para aplicar a representação em fasores vamos fazer duas conversões:

    Começando com o exemplo i, faremos a conversão explicitando o fator do tempo para desconsiderá-lo ao converter:

    No caso de v, será feita a seguinte consideração:

    Logo:

Fasores e Elementos de Circuitos

Entendido que podemos representar tensão e corrente no domínio da frequência, também é válido indicar que esse conceito também é aplicável aos elementos passivos R, L e C dos circuitos. Nesse caso, precisamos, para cada um dos elementos, converter a relação tensão-corrente do domínio de tempo para o domínio de frequência. 

Iniciando pelos resistores, se a corrente que atravessa um resistor R for:

     Pela lei de Ohm, a sua tensão será:

    Em termos de fasores teremos:

    Considerando que I=Im∠Φ, temos que a  a lei de Ohm continua sendo válida para o resistor no domínio dos fasores.

    Para o indutor L, suponha que a corrente através dele seja:

     A tensão no indutor é dada por:

    Utilizando a identidade trigonométrica –sen A = cos(A + 90°), reescrevemos a tensão como:

Ou seja, a tensão em termos de fasores é:

    Com I=Im∠Φ e ej90° = j, temos:

    Por fim, para o capacitor C, suponha que a tensão nele seja:

Considerando que a corrente através do capacitor seja:

Teremos que a corrente e tensão serão:

Em resumo, para cada elemento no domínio do tempo e da frequência, temos:

ElementoDomínio do TempoDomínio da frequência
Rv = RiV=RI
Lv = L‧di/dtV=jωLI
Ci = C‧dv/dtV=I/jωC

Referências

ALEXANDER, Charles K.. Fundamentos de circuitos elétricos. Porto Alegre: Amgh, 2013.

Imagem de destaque: https://pt.wikipedia.org/wiki/Fasor#/media/Ficheiro:Wykres_wektorowy_by_Zureks.svg

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