Linwei Ding, também conhecido como Leon Ding, um engenheiro do Google, foi preso acusado de roubar informações referentes a software e hardware empregados em projetos de inteligência artificial da empresa.
A acusação diz que Ding roubou mais de 500 arquivos confidenciais enquanto trabalhava secretamente para empresas chinesas que atuam na mesma área.
Grande parte dos dados roubados referem-se às Tensor Processing Units, desenvolvidas pelo Google e que trabalhando em conjunto com as GPUs Nvidia são muito importantes para o treinamento e execução de aplicativos de inteligência artificial como o Gemini.
Os arquivos roubados incluem projetos de software para as TPUs, especificações de hardware e software para GPUs usadas no data center do Google e outros dados.
Em meio a uma crescente corrida envolvendo tecnologia de inteligência artificial e aos esforços do governo americano para negar à China o acesso a chips utilizados na área, algumas empresas chinesas têm buscado obter informações a respeito do assunto a qualquer custo, a ponto de, no final do ano passado, os chefes de inteligência da chamada aliança Five Eyes, formada pelos Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, Austrália e Nova Zelândia, terem alertado as empresas de tecnologia desses países sobre roubo de propriedade intelectual relacionada a inteligência artificial, computação quântica e robótica.
O governo americano acusa Ding de transferir esses arquivos para uma conta pessoal do Google Cloud entre maio de 2022 e maio de 2023. Segundo as autoridades, ele teria feito isso “copiando dados dos arquivos do Google para o aplicativo Apple Notes em seu laptop MacBook fornecido pelo Google e, em seguida, convertendo-os do Apple Notes para PDFs para evitar a detecção pelos “sistemas de prevenção de perda de dados” do Google.
As autoridades americanas dizem que menos de um mês depois de começar a roubar arquivos, ele esteve na China por cinco meses e ali fundou uma startup voltada ao aprendizado de máquina chamada Zhisuan, tudo enquanto ainda trabalhava para o Google.
Ele se demitiu do Google em dezembro de 2023 e comprou uma passagem só de ida para Pequim com partida prevista para dois dias após seu desligamento da empresa. Ding fez isso depois que o Google começou a questioná-lo acerca das cópias de arquivos.
A justiça americana também diz que em 2023 Ding simulou estar presente nos escritórios do Google, fazendo com que outro funcionário usasse seu crachá enquanto ele estava na China.
Ding é réu em quatro acusações de roubo de segredos comerciais, podendo pegar até dez anos de prisão e uma multa de US$ 250 mil por cada acusação, se condenado.









