O desenvolvimento de sistemas digitais é um processo complexo e envolve muitas etapas e pessoas, a parte de descrição de hardware conhecida como RTL (Register-Transfer-Level) ou transferência a nível de registrador é somente uma delas. Para entender melhor o papel do RTL é interessante conhecer todas as etapas.
Nos últimos 40 anos o número de transistores em um chip cresceu de forma exponencial, hoje temos centenas de milhões de transistores em um único chip (Site com contador de transistor por chip). O que se não inviabiliza, dificulta de mais o trabalho em baixos níveis de abstração, como por exemplo trabalhar a nível de transistor para chips grandes.
Para conseguirmos trabalhar com tanta complexidade foi necessário criar níveis de abstração para representar sistemas, os mesmos são geralmente vistos por três perspectivas:
Comportamental
No nível comportamental o sistema é descrito em função do seu comportamento, é uma representação funcional do mesmo. Estamos preocupados em descrever o que acontece na saída do sistema quando há uma alteração em uma entrada, é a relação direta de entrada/saída. Por exemplo a saída S do nosso sistema é dada pela soma das entradas A e B.
Esta descrição geralmente é feita por uma linguagem de programação que seja capaz de gerar a parte estrutural do sistema digital. Podem ser linguagens a nível de hardware como VHDL e Verilog ou mesmo um software mais alto nível capaz de gerar o VHDL/Verilog e consequentemente a parte estrutural, como o Matlab.
Estrutural
No nível estrutural a estrutura interna do sistema é descrita: quais componentes são utilizados e como eles estão conectados. No nosso exemplo abaixo, veja a representação da soma do ponto de vista lógico.
No caso de desenvolvimento em FPGA e ASIC este é o resultado da síntese do nosso código em VHDL/Verilog, a descrição comportamental é traduzida em componentes como: mux, flip-flops, portas lógicas. E uma netlist com as conexões do mesmo.
Física
Na representação física o sistema é representado do ponto de vista físico, onde estão os pinos, onde estão os componentes no chip, quais as larguras dos pitches, tamanho do componente. É o nosso chip.
A visão física do sistema provê a informação mais detalhada. É a especificação final para a fabricação do hardware, por outro lado a visão comportamental do sistema é a que coloca menos restrições e é a forma mais abstrata de representação do circuito.
Abaixo um gráfico em Y que compara os níveis de abstração de um sistema e suas perspectivas













