Até agora a análise de circuitos CA foi focada no cálculo de corrente e tensão. Neste artigo vamos analisar a potência.
O valor mais importante em sistemas de energia elétrica, eletrônicos e de comunicação é a potência. Isso porque envolve a transmissão de energia de um ponto a outro. Assim, todo equipamento elétrico, seja ele de uso residencial ou industrial, tem uma potência nominal responsável por indicar a potência exigida pelo equipamento. É importante dizer que ultrapassar a potência nominal pode causar danos permanentes a um aparelho.
Nesse artigo, iremos definir a potência instantânea e a potência média. Além de trabalhar os outros conceitos relacionados a potência.
Potências instantânea e média
Como visto no artigo de Potência, a potência instantânea p(t) absorvida por um componente é o produto da tensão instantânea v(t) no componente e a corrente instantânea i(t) que passa por ele:
É válido enfatizar que:
A potência instantânea é a potência absorvida por um componente em um dado instante.
Para quantificar a potência instantânea de um circuito CA, iremos considerar um caso geral de uma associação arbitrária de componentes de circuito sob excitação senoidal, em que a tensão e a corrente nos terminais do circuito sejam:
Em que Vm e Im são as amplitudes (também chamadas de valores de pico) e θv e θi são, respectivamente, os ângulos de fase da tensão e da corrente.
Logo, a potência instantânea absorvida pelo circuito é:
Para entender como a potência é absorvida, vamos aplicar a identidade trigonométrica:
Assim teremos a potência definida como:
Isso mostra que a potência instantânea é formada por duas partes: uma parte constante (ou seja, independente do tempo) em que seu valor depende da diferença de fase entre a tensão e a corrente, e uma parte com uma função senoidal de frequência 2ω, que é o dobro da frequência angular da tensão ou da corrente.
Por variar com o tempo, a potência instantânea é difícil de ser medida. Então, a potência média é mais conveniente de ser utilizada.
A potência média (watts) é a média da potência instantânea ao longo de um período.
Devido a praticidade, até mesmo o wattímetro, instrumento usado para medir potência, indica a média. Logo, a potência média é dada por:
Substituindo o p(t) encontrado, temos:
Assim concluímos que devido o primeiro integrando ser uma constante, a sua média será a mesma constante. Já o segundo integrando é uma senoide, a média ao longo do seu período é zero, isso porque a área de uma senoide é ora positiva, ora negativa, então sua área é cancelada zerando o valor.
Logo, o segundo termo desaparece e a potência média será dada por:
Enquanto p(t) varia com o tempo, P não possui dependência do tempo. Assim, para encontrar a potência instantânea, devemos ter v(t) e i(t) no domínio do tempo. Já a potência média pode ser encontrada quando a tensão e a corrente estão expressas no domínio do tempo ou no domínio da frequência.
As formas fasoriais de v(t) e i(t) são:
Utilizando os fasores V e I, escrevemos P como:
Considerando somente a parte real da expressão como a potência média P, temos:
Casos especiais:
- θv igual a θi
Quando θv = θi, significa que a tensão e a corrente estão em fase. Isso configura um circuito puramente resistivo (formado somente por R):
Em que I2= I ‧ I*.
Observando a equação mostra que um circuito puramente resistivo absorve potência o tempo todo.
- θv – θi = ±90°
Quando θv – θi = 90°, temos um circuito puramente reativo:
A equação mostra que um circuito puramente reativo (ou seja, formado por L ou C) não absorve nenhuma potência média.
Exemplo potência instantânea e média
Dado v(t) e i(t):
Determine a potência instantânea e média.
Começando com a potência instantânea, temos:
Aplicando a identidade trigonométrica, temos que p é:
Já a potência média é:
Máxima transferência de potência média
No artigo Máxima Transferência de Potência, verificamos como maximizar a potência liberada por um circuito resistivo, de tensão CC, com uma carga RL. Através da equivalência de Thévenin, vimos que seria liberada a potência máxima para a carga se, e somente se, a resistência da carga fosse igual à resistência de Thévenin RL = RTh.
Nos circuitos CA, iremos considerar o circuito da Figura 1 que possui um circuito qualquer conectado a uma carga ZL, por sua vez este é representado por seu equivalente de Thévenin.
A carga, geralmente, é representada por uma impedância. Então pode ser o modelo um motor elétrico, uma antena, uma TV, etc. Na forma retangular, a impedância de Thévenin ZTh e a impedância da carga ZL são, respectivamente:
Considerando a Figura 1b, a corrente através da carga é:
Utilizando a equação de potência média, temos:
Para garantir que P seja máxima, precisamos ajustar os parâmetros das cargas RL e XL. Para isso, tornamos as derivadas parciais de P em relação a RL e a XL igual a zero.
Para que a derivada parcial de P em relação a XL seja 0, basta:
Enquanto que, para a derivada parcial de P em relação a RL ser 0 é preciso:
Ao combinar ambas as equações, concluímos que para a máxima transferência de potência média, ZL precisa ser escolhido de forma XL=–XTh e RL = RTh. Logo:
Então:
A máxima transferência de potência média, só é possível se a impedância da carga (ZL) for igual ao conjugado complexo da impedância de Thévenin (ZTh).
Dessa forma, fazendo RL = RTh e XL = –XTh, na equação da potência média temos o teorema da máxima transferência de potência média:
Em um circuito em que a carga é puramente real, a máxima transferência de potência é obtida considerando XL = 0:
Isso quer dizer que, a máxima transferência de potência para uma carga resistiva é garantida se a impedância da carga for igual ao módulo da impedância de Thévenin.
Exemplo potência máxima
Vamos determinar a impedância ZL da carga que maximiza a potência média absorvida do circuito da Figura 2, além de determinar a potência média máxima.
Primeiramente, desenhamos o circuito equivalente de Thévenin nos terminais da carga para obter ZTh e também VTh. Começando por ZTh vamos redesenhar o circuito como:
Assim, temos:
Para obter ZL, ou seja, a impedância da carga que absorve a potência máxima, basta pegar o conjugado de ZTh:
Para determinar o VTh, considere o circuito da Figura 4.
Aplicando divisão de tensão, temos:
Por fim, a potência média máxima é:
Referências
ALEXANDER, Charles K.. Fundamentos de circuitos elétricos. Porto Alegre: Amgh, 2013.










