A expressão “too big to fail” é usada para designar uma instituição tão grande e de tanta importância para a economia de um país que, se quebrar, vai trazer impactos catastróficos para essa economia.
O governo e parlamentares americanos, considerando a Intel “too big to fail”, têm discutido reservadamente opções para ajudar a empresa a se recuperar caso sua situação financeira se deteriore, o que parece provável.
Fontes do mercado dizem que essas opções estão além do escopo do CHIPS Act, que previa conceder à empresa cerca de US$ 8,5 bilhões antes do final de 2024. Essas discussões mostram o quanto Washington valoriza a Intel, principalmente neste momento em que os Estados Unidos competem com a China no campo das tecnologias avançadas.
Embora a AMD e a Nvidia também sejam empresas americanas, a Intel é a única que, além de projetar, fabrica chips avançados; se a empresa quebrar, os Estados Unidos teriam que depender da TSMC e da Samsung para fabricar esses chips. Embora ambas as empresas já tenham fábricas no país, elas atendem apenas uma fração das necessidades americanas. Além disso, embora ambas tenham sedes em países aliados, Coreia do Sul e Taiwan, estão em risco devido à sua proximidade com a China.
Outro motivo pelo qual os parlamentares e o governo não querem ver a Intel falir é porque ela é uma das maiores exportadoras dos Estados Unidos, com sua receita de exportação em 2023 superando US$ 40 bilhões.
Além disso, a empresa também está trabalhando com o programa Secure Enclave do Pentágono para construir chips de ponta para as forças armadas, tornando-a crucial para a economia e segurança do país. É também uma grande empregadora: embora esteja em processo de demitir mais de 16 mil pessoas, ainda tem mais de 120 mil funcionários.
A ideia não parece ser simplesmente aportar recursos à Intel, mas sim incentivar fusões da empresa com outras como AMD, Arm e Qualcomm, embora especialistas estejam dizendo que desmembrar a Intel não trará vantagens a nenhum dos envolvidos.
Mas há os otimistas, que afirmam que os chips fabricados pela Intel com sua tecnologia 18A e medidas de ordem estrutural serão suficientes para a empresa se recuperar.
Ainda assim, parece que o governo americano pretende ter planos de contingência caso esse otimismo se mostre injustificado e a empresa precise ser mantida.











