Impedância e Admitância

Este post faz parte da série Eletricidade básica

Nos circuitos com fontes CA, analisaremos o comportamento da entrada senoidal através de fasores. Então, os componentes que compõem o circuito – resistores, capacitores e indutores – também precisarão apresentar relações entre tensão e corrente elétrica descrita por números complexos. Estes são chamados de impedância e admitância. 

Neste artigo, estudaremos os comportamentos da impedância e admitância de cada um dos elementos passivos citados.

Impedância

    Relembrando o artigo sobre fasores, determinamos as relações tensão-corrente para três elementos (resistor R, indutor L e capacitor C), como:

Para obter a Lei de Ohm na forma fasorial, vamos começar escrevendo essas equações em razão da tensão fasorial e a corrente fasorial:

    Assim, concluímos que a Lei de Ohm para fasores é:

    Em que Z é um valor que depende da frequência sendo chamado de impedância, cuja unidade é Ohms (Ω).

    Assim, as impedâncias de resistores, indutores e capacitores são as mostradas na Tabela 1.

ElementoImpedância
RZ=R
LZ=jωL
CZ=1/jωC
Tabela 1 – Relação entre elementos e sua impedância.

Podemos observar na tabela que a impedância do indutor e do capacitor são, respectivamente,  ZL = jωL e ZC = –j/ωC.  Ao considerar dois casos extremos de frequência angular, teremos:

Onde, ω=0 significa um circuito com fontes CC. Nesse caso temos o comportamento já estudado: o indutor atua como um curto-circuito, já o capacitor opera como um circuito aberto.

Onde, ω=∞ significa um circuito com alta frequência C. Nesse caso temos que, em alta frequência, o indutor é um circuito aberto e o capacitor é um curto-circuito.

Por ser um valor complexo, a impedância pode ser expressa na forma retangular:

    Em que R é a resistência e a parte real de Z, enquanto que X é a reatância e a parte imaginária de Z. A reatância pode ser positiva ou negativa, se for positiva chamamos a impedância de indutiva, se for negativa chamamos de capacitiva

O fator determinante para ser do tipo indutiva ou capacitiva é a frequência aplicada. Isso acontece, pois em frequências baixas, os elementos capacitivos (de maneira geral) fornecem a maior contribuição para a impedância total, já em frequências altas, os elementos indutivos são os responsáveis pela maior contribuição para a impedância total. Isso pode ser observado na análise do comportamento dos elementos para ω=0 e ω=∞ feito anteriormente.

A impedância também pode ser escrita na forma polar:

    É importante entender alguns pontos sobre a impedância:

  • É uma quantidade que representa a oposição do circuito ao fluxo de corrente senoidal;
  • Por mais que seja a razão entre dois fasores, a impedância não é um fasor. Isso porque não corresponde a um valor que se comporta como uma senóide (que varia com o tempo), mas com uma grandeza fixa.

Admitância

    Em algumas situações é mais conveniente trabalhar com a admitância.

A admitância é o inverso da impedância e é medida em Siemens (S).

    Assim, a admitância Y de um circuito é a razão entre a corrente fasorial e a tensão fasorial do circuito.

    Então as admitâncias de resistores, indutores e capacitores são as mostradas na Tabela 2.

ElementoAdmitância
RY=1/R
LY=1/jωL
CY=jωC
Tabela 2 – Relação entre elementos e sua admitância.

    Por ser um valor complexo, a admitância pode ser expressa na forma retangular:

    Em que G é a condutância e a parte real de Y e B é a susceptância e parte imaginária de Y. Tanto admitância, condutância e susceptância são expressas na unidade Siemens (ou mhos).

    Para determinar o valor da condutância e susceptância, consideramos:

    Racionalizando a parte imaginária:

    Separando a parte real da imaginária, temos:

    Dessa forma, observamos que G=1/R somente se X=0.

Resumo

    Em resumo a impedância e admitância dos elementos passivos de circuitos são os mostrados na Tabela 3.

Tabela 3 – Impedância e admitância de elementos passivos.

ElementoImpedânciaAdmitância
RZ=RY=1/R
LZ=jωLY=1/jωL
CZ=1/jωCY=jωC

Referências

ALEXANDER, Charles K.. Fundamentos de circuitos elétricos. Porto Alegre: Amgh, 2013.

BOYLESTAD, Robert L.. Introdução à análise de circuitos. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2012.

Eletricidade básica

Números Complexos Circuito RLC Série
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Josué Camilo
Josué Camilo
30/09/2023 13:53

Muito bom. Parabéns!

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