O avanço acelerado da inteligência artificial está pressionando as cadeias globais de suprimento de semicondutores e deve provocar uma onda de aumentos nos preços de smartphones, laptops e outros eletroeletrônicos em 2026.
Analistas e executivos alertam que a crescente demanda por chips de memória de alta largura de banda (HBM) está desorganizando os ciclos de produção e deixando fabricantes de dispositivos pessoais sem acesso a componentes essenciais.
A escassez decorre da expansão dos datas centers de IA e da produção em massa de eletrônicos de consumo. Gigantes como Amazon e Google vêm firmando contratos de longo prazo com fabricantes de chips para assegurar fornecimento do que precisam, o que tem deixado fabricantes de PCs e celulares em desvantagem.
O custo das memórias DRAM já dispara, com fornecedores priorizando os lucrativos módulos HBM. A TrendForce prevê alta de 50% a 55% nos preços médios da DRAM no último trimestre de 2025. Samsung e SK Hynix, que juntas controlam mais de 70% do mercado, elevaram preços em até 60%.
Fabricantes de hardware já sentem os impactos. O COO da Dell, Jeff Clarke, afirmou em teleconferência que nunca havia visto custos subirem tão rapidamente, alertando que o efeito chegará aos consumidores. A britânica Raspberry Pi classificou como “dolorosa” sua decisão de aumentar preços em dezembro. A Lenovo, maior produtora mundial de PCs, formou estoques estratégicos de chips para enfrentar a situação.
Analistas projetam que os reajustes nos preços de dispositivos de consumo podem variar de 5% a 20% em 2026, dependendo da capacidade das empresas de absorver custos. O presidente da Xiaomi, Lu Weibing, advertiu que as pressões de 2026 serão muito maiores que as de 2025, com risco de gargalos semelhantes aos ocorridos durante a pandemia.
Para conter a crise, fabricantes investem pesado. A Samsung anunciou a expansão de uma planta na Coreia do Sul, enquanto a SK Hynix ergue um complexo de US$ 91 bilhões. Mas especialistas lembram que novas fábricas levam de dois a três anos para entrar em operação.
Segundo o Morgan Stanley, empresas de tecnologia e nuvem dos EUA devem gastar US$ 620 bilhões em infraestrutura de IA em 2026, contra US$ 470 bilhões em 2025, dentro de um ciclo global de investimentos que pode atingir US$ 2,9 trilhões até 2028.
Para os fabricantes de eletrônicos, o dilema é claro: aumentam os preços dos produtos, ou sacrificam suas margens, o que tem um limite.










