Caro leitor, há alguns dias aprendi algo muito interessante que me fez relembrar a graduação e o curso técnico. Ajudei um amigo de laboratório a corroer uma PCB. Para minha surpresa as coisas evoluíram. O post é simples, mas serve como um pequeno guia para iniciantes no mundo da eletrônica a entenderem o processo de corrosão de placas de circuito impresso.
Teoria
Essa técnica utiliza sais de Persulfato de Amônia [Fórmula Linear – (NH4)2S2O8] para agredir o metal depositado no PCB, no caso cobre. Sem ter a pretensão de detalhar os aspectos físicos-químicos da reação, a corrosão se dá pela interação da solução de Persulfato de Amônia e água com o PCB. O resultado é a corrosão do metal exposto (não isolado por tinta) e liberação de produtos de uma corrosão e energia (ou seja, vai esquentar recipiente onde a solução e o PCB estão depositados).
Técnica
Para tanto, sugiro os seguintes passos:
- Cortar a PCB na dimensão do projeto;
- Desenhar ou imprimir o projeto na PCB cortada;
- Preparar a solução de Persulfato de Amônia e água (solução descrita logo abaixo) em um recipiente transparente;
- Mergulhar o projeto da PCB na solução;
- Aguardar a corrosão e esporadicamente mexer a PCB;
- Lavar a PCB;
- Retirar a tinta utilizada para isolar a PCB do sal;
- Lavar a PCB novamente;
- Soldar os componentes.
Solução e Modo de Preparo
Para cada meio litro de água utilizar 200 gramas de Persulfato de amônia. Misturar até diluir o sal. O resultado é uma solução transparente com cor azulada. O link a seguir (preparo da solução) demonstra o processo e pode ser bem útil para quem tiver alguma dúvida.
Dicas interessantes – manter a solução aquecida ao redor de 50 graus e se possível utilizar aquelas bombinhas de aquário para manter a solução em movimento. Essas dicas reduzem o tempo na qual a placa fica na solução corroendo.
Onde Comprar
Por se tratar de produto químico é necessário entrar em contato com as distribuidoras químicas, contudo com um pouco esforço é possível adquirir em sites de vendas como MercadoLivre e Ebay. Os preços são convidativos e aqui vale a observação – também possível o uso de Persulfato de Sódio (Na2S2O8) – este eu não testei, mas diversos sites mencionam o uso.
Vantagens
Percebi algumas vantagens quando comparado com o Percloreto de Ferro [Cloreto de ferro(III)], são elas:
- É possível visualizar o processo de corrosão da PCB;
- O Persulfato de amônia não suja a sua bancada nem camisa e calça (quem já perdeu uma calça comenta abaixo) como Percloreto de Ferro (justificando a figurinha do porquinho);
- O russo do link acima não usou luvas e lavou a PCB em água corrente após o processo de corrosão.
Conclusão
O uso de Persulfato de Amônia é muito interessante para prototipação rápida, tendo em vista que não suja como o Percloreto de Ferro e não agride o meio em que trabalhamos. Além disso acredito que o resultado é superior, pois é possível observar a corrosão da PCB e considerar que o tempo de corrosão entre os sais são equivalentes. Por se tratar de produto químico e tóxico – TODO CUIDADO É POUCO, em especial com os olhos e afim de evitar possíveis ingestões, bem como o descarte deve seguir critérios adequados.
Como mencionei o texto é simples, mas acredito que seja útil a todos os desenvolvedores de PCB. Agradeço ao amigo Roddy pelo aprendizado e ao Licursi pela paciência.










Russo, mano 🙂
Este produto é toxico é deve ser usado com muito cuidado. Não deve ser dispensado no esgoto comum mesmo em pequenas quantidades sob risco de combustão de outros elementos. Alguns prós e contras de cada método aqui:
https://www.electronica-pt.com/placas-circuito-impresso
Laercio, muito bem lembrado – o bom descarte deve ser considerado. Excelente link, estarei revisando o post atual. Posteriormente farei um post mais completo abordando mais detalhes sobre o assunto.
Olá Rodrigo! Parabéns pelo artigo! Você saberia esclarecer se é possível reutilizar a solução? Obrigado!
Obrigado Eduardo. Esse post surgiu devido a uma pequena demanda urgente no meu laboratório – fiquei impressionado com o resultado do persulfato de amônia. Acredito que por se tratar de uma solução química ela deve saturar e perder suas propriedades. Vou questionar meu colegas de laboratório. Ratifico o cuidado com o manuseio e o descarte por se tratar de produto químico e tóxico.