Validação do controle do avanço de ignição em malha fechada com composição de 35% de etanol

Os últimos 3 artigos dessa série discutem os resultados obtidos nos testes realizados para levantamento do comportamento da detonação no motor e validação das rotinas desenvolvidas para controle. Os testes foram realizados com os seguintes parâmetros: composição de combustível de 35% e 91% de etanol, carga máxima do motor (90 kPa), rotações de 2000 RPM, 3000 RPM e 4000 RPM, com o controle ativado ou desativado, a fim de comparar os valores de torque de saída do motor, valor do indicador de detonação, média do indicador de detonação e o avanço que é aplicado.

Todos os testes podem ser visualizados no trabalho completo.

O teste apresentado nesse artigo foi realizado com as seguintes configurações: duração de 60 segundos, composição de 35% de etanol, motor com carga total e com as seguintes rotações: 2000 RPM, 3000 RPM e 4000 RPM. O teste com composição de 35% foi realizado principalmente com a intenção de se analisar e comparar o torque de saída, o torque médio, o valor do indicador de detonação e a média do indicador de detonação com o controle ativado e desativado.

Validação a 2000 RPM com composição de 35% de etanol

A figura 1 ilustra o resultado do teste com o controle desabilitado e a figura 2 com o controle ativo para o teste a 2000 rpm.

Figura 1 – Curvas de Indicador de detonação (a), Avanço final de ignição (b) e torque de saída do motor (c), para o teste de 2 000 rpm com controle desabilitado e composição de 35% de etanol.
Figura 2 – Curvas de Indicador de detonação (a), Avanço final de ignição (b) e torque de saída do motor (c), para o teste de 2 000 rpm com controle ativo e composição de 35% de etanol.

Analisando os resultados, inicialmente pode-se notar que o torque de saída do motor permanece mais estável quando o controle está habilitado. Adicionalmente, em ambos os testes há uma perturbação não medida no avanço de ignição. Esta perturbação, que afeta o torque de saída em aproximadamente 45 segundos do primeiro teste e em 35 segundos do segundo teste, é causada pelo avanço em função da temperatura do motor, que para o presente teste não foi medida. O valor médio do torque em ambos os testes foi de 126 Nm, mostrando que o controle não apresenta ganho relativo nesta condição de funcionamento do motor.

A figura 3 ilustra a comparação do torque de saída para o controle ativado e desativado.

Figura 3 – Torque de saída do motor a 2000 RPM, composição de 35% de etanol, curva vermelha controle desativado, curva azul controle ativado.

Em relação ao indicador de detonação, o teste com controle ativo apresentou mais picos e com maiores valores, o que era esperado, uma vez que o controle tenta fazer o motor operar na liminar de detonação.

A média do indicador com o controle desabilitado foi de 9195 e o valor com controle ativo foi de 18429, um aumento relativo entre os dois resultados, porém o valor médio com controle ativo é menor do que o liminar para redução do avanço de 22000. A partir destes resultados, observa-se que o controle não traz ganho relativo nesta condição de operação do motor, sendo melhor alterar a programação do controle para ele não atuar nesta faixa de operação.

Validação a 3000 RPM com composição de 35% de etanol

A figura 4 ilustra o resultado do teste com o controle desabilitado e a figura 5 com o controle ativo para o teste a 3000 RPM.

Figura 4 – Curvas de Indicador de detonação (a), Avanço final de ignição (b) e torque de saída do motor (c), para o teste de 3000 RPM com controle desabilitado e composição de 35% de etanol.
Figura 5 – Curvas de Indicador de detonação (a), Avanço final de ignição (b) e torque de saída do motor (c), para o teste de 3000 RPM com controle ativo e composição de 35% de etanol.

Primeiramente o principal resultado é que diferentemente do teste realizado a 2000 RPM, o teste a 3000 RPM com controle ativo apresenta ganho de torque em relação ao teste a 3000 RPM com controle desabilitado, sendo que o valor médio com controle ativo é de 129 Nm, enquanto com controle desabilitado o valor é de 127 Nm. Novamente em ambos os testes são observadas perturbações no sinal de saída de origem não medidas duas vezes, com o controle ativo a aproximadamente 12 e 45 segundos.

Com o controle desabilitado, a perturbação tem início há aproximadamente 30 segundos, e continua durante 20 segundos. Porém o torque só é afetado no início da perturbação, se estabilizado após a oscilação inicial. A figura 6 ilustra a comparação do torque de saída para o controle ativado e desativado.

Figura 6 – Torque de saída do motor a 3000 RPM, composição de 35% de etanol, curva vermelha controle desativado, curva azul controle ativado.

Em relação ao valor do indicador de detonação, os resultados apresentados a 3000 RPM são muito melhores do que os a 2000 RPM, sendo o valor médio com controle ativo a 3000 RPM de 10926. Com o controle desabilitado, o valor médio é de 9145. Este resultado demonstra que o controle traz benefícios ao torque de saída sem comprometer a ocorrência de detonação para esta condição de operação do motor.

Validação a 4000 RPM com composição de 35% de etanol

A figura 7 ilustra o resultado do teste com o controle desabilitado e a figura 8 com o controle ativo para o teste a 4000 RPM.

Figura 7 – Curvas de Indicador de detonação (a), Avanço final de ignição (b) e torque de saída do motor (c), para o teste de 4000 RPM com controle desabilitado e composição de 35% de etanol.
Figura 8 – Curvas de Indicador de detonação (a), Avanço final de ignição (b) e torque de saída do motor (c), para o teste de 4000 RPM com controle ativo e composição de 35% de etanol.

Finalizando os testes com composição de 35% de etanol, o teste a 4000 RPM, assim o como o teste a 3000 RPM, apresenta melhora no torque de saída do motor quando o controle está ativo em relação a torque de saída quando o mesmo está desabilitado, sendo que o valor médio com controle ativo é de 123,1 Nm e com controle desabilitado é de 121,7 Nm. Uma particularidade deste teste é que o torque de saída não foi afetado pela perturbação não medida como nos testes anteriores, conforme mostrado no gráfico de avanço na figura 5 (b).

A figura 9 ilustra a comparação do torque de saída para o controle ativado e desativado.

Figura 9 – Torque de saída do motor a 4000 RPM, composição de 35% de etanol, curva vermelha controle desativado, curva azul controle ativado.

Em relação ao indicador de detonação, o teste apresentou um resultado divergente aos testes anteriores, o indicador de detonação apresentou média menor com o controle ativo em relação à média com controle desabilitado, sendo de 15233 para o primeiro e de 15558 para o segundo.

Estes resultados reforça a conclusão obtida com o teste a 3000 rpm de que o controle otimiza o torque de saída sem comprometer a ocorrência de detonação.

Agora os resultados dos testes são comparados em relação ao torque de saída. A figura 10 ilustra a comparação do torque de saída para as rotações de 2000, 3000 e 4000 RPM com composição de 35% de etanol e controle desabilitado.

Figura 10 – Torque de saída do motor para as rotações de 2000,3000 e 4000 RPM, composição de combustível de 35% de etanol e controle desabilitado.

A figura 11 ilustra a comparação do torque de saída para as rotações de 2000, 3000 e 4000 RPM com composição de 35% de etanol e controle ativo.

Figura 11 – Torque de saída do motor para as rotações de 2000,3000 e 4000 RPM, composição de combustível de 35% de etanol e controle ativo.

No próximo artigo será apresentado o resultado dos testes com etanol hidratado E95 a plena carga (90kPa) e lambda de referência igual a 1.

Referência

HAYASHIDA, P. Desenvolvimento de uma estratégia de controle de detonação para otimização do torque em um motor de combustão interna flex. 2018. 95p. Dissertação (Mestrado em Sistemas Eletrônicos) – Escola Politécnica, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2018.

Controle do fenômeno de detonação (combustão anormal)

Controle em malha fechada do fenômeno da detonação Validação do controle do avanço de ignição em malha fechada com composição de 91% de etanol
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